A cinco dias do segundo turno das eleições presidenciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou novas medidas durante uma caminhada de campanha em São Luís, no Maranhão, nesta terça-feira (20). Entre as iniciativas apresentadas estão o envio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para garantir transporte público gratuito aos fins de semana, a sanção de uma medida relacionada às dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) e a autorização para disponibilizar seus sigilos bancário e telefônico à Justiça Eleitoral.
Os anúncios foram feitos durante a reta final da campanha presidencial, em um momento de intensa disputa entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário do petista na votação marcada para 25 de outubro.
A proposta de tarifa zero prevê que passageiros possam utilizar gratuitamente o transporte coletivo aos sábados e domingos em cidades de todo o país que disponham desse serviço. Segundo Lula, a iniciativa está relacionada à ampliação do tempo de descanso dos trabalhadores após a aprovação do fim da escala de trabalho 6×1.
O presidente afirmou que pretende assinar e encaminhar a proposta ao Congresso Nacional nesta quarta-feira (21). A medida, entretanto, ainda precisará passar pela tramitação legislativa antes de poder entrar em vigor.
Além da pauta do transporte público, Lula anunciou medidas voltadas aos pequenos empreendedores e voltou a desafiar Flávio Bolsonaro a autorizar a abertura de seus próprios sigilos bancário e telefônico. Os temas ampliaram o conjunto de propostas e declarações apresentados pelo presidente nos últimos dias de campanha.

Lula quer transporte público gratuito aos fins de semana em todo o Brasil
Durante a caminhada em São Luís, Lula declarou que enviará ao Congresso uma PEC para estabelecer a gratuidade do transporte público aos sábados e domingos. A proposta busca permitir que trabalhadores utilizem ônibus, metrôs e outros serviços de transporte coletivo sem pagar passagem durante os fins de semana.
“Vou assinar amanhã uma PEC e enviar ao Senado propondo, já que foi aprovado o fim da escala 6×1, a gente vai então garantir que sábado e domingo tenha transporte público gratuito para que o povo possa passear”, afirmou o presidente durante o ato.
A iniciativa foi apresentada como uma forma de ampliar os benefícios do tempo livre dos trabalhadores. Com mais oportunidades de descanso, a gratuidade permitiria, segundo a proposta defendida por Lula, facilitar deslocamentos para atividades de lazer, visitas familiares e outros compromissos realizados nos dias de folga.
A proposta não se limita a uma cidade ou região específica. A intenção anunciada é estabelecer o passe livre nos fins de semana em todas as cidades brasileiras que tenham transporte coletivo.
O financiamento é um dos principais pontos em discussão. Em declarações anteriores, Lula indicou que a iniciativa seria custeada por meio de emendas parlamentares. A implementação, contudo, depende da definição das regras de financiamento, da tramitação da PEC e da construção de um modelo que permita sustentar o serviço sem comprometer sua operação.
A proposta também pode provocar debates no Congresso sobre a divisão dos custos entre União, estados e municípios, além dos efeitos para os sistemas de transporte urbano.
Outro ponto importante é que o anúncio não significa que os passageiros terão direito imediato à gratuidade. A PEC ainda precisa ser formalmente apresentada e aprovada pelo Legislativo, seguindo as exigências constitucionais para alterações na Constituição.
Ao relacionar a tarifa zero ao fim da escala 6×1, Lula argumenta que a redução da jornada de trabalho deve ser acompanhada de condições para que a população aproveite melhor o tempo de descanso. A efetivação dessa ideia, porém, dependerá do conteúdo final da proposta e das decisões tomadas durante sua tramitação.
Presidente anuncia medida para dívidas de 4 milhões de MEIs
Outra medida anunciada por Lula envolve os microempreendedores individuais, categoria que reúne milhões de brasileiros que trabalham por conta própria e pequenos empresários formalizados.
Durante o evento no Maranhão, o presidente afirmou que sancionaria nesta quarta-feira (21) uma medida voltada ao perdão de dívidas de MEIs com a União.
“Amanhã eu vou sancionar a lei de perdão do MEI. São 4 milhões de pessoas que têm dívida ativa na União e vamos anistiar para limpar o nome dessas pessoas no Serasa e começar uma vida nova”, declarou Lula.
A iniciativa foi apresentada como uma oportunidade para que empreendedores com débitos possam regularizar sua situação e retomar atividades econômicas com menos restrições financeiras.
A existência de dívidas pode dificultar o acesso ao crédito, limitar a capacidade de investimento e comprometer o planejamento financeiro de pequenos negócios. Por isso, medidas de regularização podem ter impacto sobre empreendedores que enfrentam dificuldades para manter suas obrigações em dia.
Ainda assim, os efeitos concretos dependem das regras previstas na legislação, incluindo quais dívidas serão abrangidas, os critérios de elegibilidade e os procedimentos necessários para a regularização. A declaração presidencial, isoladamente, não esclarece todos esses detalhes.
Também é importante distinguir dívidas inscritas na dívida ativa da União de outros débitos que um empreendedor possa ter com bancos, fornecedores ou instituições privadas. O alcance da medida depende do que estiver efetivamente previsto na lei.
O anúncio ocorre em meio a outras propostas econômicas apresentadas durante a campanha. A intenção declarada pelo governo é aliviar a situação de pequenos empreendedores e facilitar sua retomada financeira.
Para os MEIs que possam ser contemplados, a publicação das regras oficiais será fundamental para saber como solicitar o benefício, quais pendências poderão ser perdoadas e se haverá exigências adicionais.
Lula desafia Flávio Bolsonaro a abrir sigilos bancário e telefônico
Além das medidas econômicas, Lula voltou a abordar o embate com Flávio Bolsonaro sobre a divulgação de informações financeiras e telefônicas. Durante o ato em São Luís, o presidente afirmou que seus advogados estavam preparando a autorização para disponibilizar seus dados à Justiça Eleitoral e cobrou que o adversário fizesse o mesmo.
“Quero ver se ele tem coragem de abrir o sigilo bancário e o sigilo telefônico dele. Ou seja, da pessoa física e da pessoa jurídica”, declarou Lula.
A proposta havia sido anunciada depois do debate presidencial realizado pela TV Bandeirantes, no domingo (18), quando os candidatos trocaram acusações e provocações. Lula defendeu que ambos autorizassem o acesso a informações pessoais e empresariais, incluindo dados relacionados aos familiares, para análise pelas autoridades competentes.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, o presidente afirmou que seus advogados apresentariam a autorização à Justiça Eleitoral. A iniciativa foi apresentada por Lula como uma forma de demonstrar transparência e responder às acusações feitas durante a campanha.
É importante, entretanto, diferenciar a manifestação voluntária de consentimento de uma quebra de sigilo determinada judicialmente. A entrega de uma autorização não significa, por si só, que todos os dados serão automaticamente acessados ou divulgados. O alcance da medida depende dos documentos apresentados, das informações abrangidas e dos procedimentos legais aplicáveis.
Até o momento retratado pelas informações divulgadas nesta terça-feira, não havia confirmação de que Flávio Bolsonaro tivesse aceitado o desafio nos mesmos termos propostos por Lula. A declaração do presidente, portanto, deve ser entendida como uma cobrança dirigida ao adversário, e não como um acordo entre os dois candidatos.
A disputa sobre os sigilos acrescenta mais um tema ao confronto eleitoral, que já vinha sendo marcado por acusações relacionadas à vida pessoal, ao patrimônio e às relações políticas dos candidatos. A análise de documentos, caso seja realizada pelas autoridades, deverá respeitar os procedimentos legais e o direito de defesa dos envolvidos.
Agenda de Lula segue pelo Nordeste na reta final da campanha
Após a caminhada em São Luís, Lula anunciou que continuaria sua agenda pelo Nordeste. O roteiro previa uma nova mobilização com saída de Juazeiro, na Bahia, em direção a Petrolina, em Pernambuco, às 14h.
A viagem faz parte das atividades de campanha realizadas nos últimos dias antes do segundo turno, marcado para domingo (25). Nesse período, os candidatos intensificam os atos públicos e a divulgação de propostas para conquistar eleitores.
A combinação de anúncios sobre transporte público, dívidas de pequenos empreendedores e abertura de sigilos demonstra a variedade de temas presentes na reta final da disputa. Enquanto as propostas econômicas buscam responder a preocupações cotidianas da população, o embate sobre transparência mantém o confronto entre os candidatos no centro do debate político.
No caso da tarifa zero, o próximo passo anunciado por Lula é o encaminhamento da PEC ao Congresso. Para os MEIs, será necessário verificar o texto definitivo da medida de regularização. Já a questão dos sigilos depende da formalização das autorizações e dos procedimentos que poderão ser adotados pelas autoridades.
As três iniciativas ainda exigem atenção aos detalhes legais e à forma como serão executadas. A apresentação de uma proposta ou o anúncio de uma medida não equivale, automaticamente, à sua implementação integral.
Sobre os anúncios de Lula
1. A tarifa zero anunciada por Lula incluiria feriados?
Declarações anteriores do presidente mencionaram fins de semana e feriados. O alcance definitivo, porém, dependerá do texto formal da PEC e das regras aprovadas pelo Congresso.
2. A gratuidade valeria para qualquer tipo de transporte?
A proposta foi apresentada para o transporte coletivo. Os serviços abrangidos, as modalidades incluídas e as condições de funcionamento deverão ser definidos no texto da medida e em sua regulamentação.
3. Como um MEI poderá saber se tem direito ao perdão de dívidas?
O empreendedor deverá consultar as regras oficiais após a publicação da legislação, verificando os tipos de débitos contemplados, os critérios de elegibilidade e os procedimentos exigidos para regularização.
4. A autorização para abrir sigilo significa que os dados serão publicados?
Não necessariamente. O acesso pelas autoridades e a eventual divulgação pública são questões distintas. O uso das informações depende do alcance da autorização e das regras legais de proteção de dados e sigilo.
5. Quando será o segundo turno das eleições presidenciais de 2026?
Segundo o calendário eleitoral mencionado na cobertura, a votação está marcada para 25 de outubro de 2026.



