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TRE-BA manda prender secretário em Salvador após crise dos ônibus durante votação; SAIBA MAIS

Justiça Eleitoral determina prisão do secretário Pablo Souza após redução da frota de ônibus em Salvador. Decisão exige 100% dos veículos nas ruas e prevê multa de R$ 1 milhão por hora.

Uma decisão da Justiça Eleitoral colocou o transporte público de Salvador no centro de uma crise durante o segundo turno das eleições presidenciais deste domingo (25). O presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman Szporer, determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, após denúncias de redução na circulação de ônibus durante o horário de votação.

A determinação foi encaminhada à Polícia Federal (PF) e ocorreu após uma representação apresentada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. A entidade alegou que mais da metade da frota de transporte coletivo da capital baiana estaria fora de circulação, prejudicando o deslocamento de eleitores até as seções eleitorais.

Além da ordem de prisão, o tribunal determinou que a Prefeitura de Salvador e as empresas concessionárias restabelecessem imediatamente 100% da frota, com frequência e itinerários equivalentes aos praticados em dias úteis. O serviço também deveria ser oferecido gratuitamente até o encerramento da votação e pelo período necessário para garantir o retorno dos eleitores para casa.

A decisão estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento, com responsabilidade solidária do município, do secretário e das empresas concessionárias. Reportagens publicadas neste domingo informaram, porém, que não havia confirmação de que a prisão tivesse sido efetivamente cumprida até aquele momento.

O caso ganhou repercussão nacional por envolver uma ordem de prisão contra um integrante da administração municipal em pleno dia de votação. Enquanto a Justiça Eleitoral apontou indícios de descumprimento das regras de transporte, a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) apresentou outra explicação para as interrupções registradas pela manhã.

Valter Pontes/Secom-BA

TRE-BA aponta ônibus retidos e determina liberação de toda a frota

A decisão do TRE-BA foi tomada após a federação apresentar vídeos, fotografias e outros registros que, segundo a entidade, demonstrariam a permanência de dezenas de ônibus nas garagens durante o período de votação.

Conforme informações divulgadas sobre o processo, uma inspeção judicial realizada em uma garagem do sistema BRT, na Avenida Barros Reis, identificou veículos parados. Ainda segundo o relato registrado nos autos, um supervisor informou que a frota em circulação estava abaixo da utilizada em dias úteis e que a operação reduzida seguia orientação da Secretaria Municipal de Mobilidade.

A federação sustentou que a situação comprometia o acesso dos eleitores às urnas. A entidade também afirmou que a redução continuava mesmo após uma determinação anterior para que o serviço fosse restabelecido.

Ao analisar o caso, o desembargador destacou a importância do direito ao voto e afirmou que o exercício do sufrágio não pode sofrer obstáculos de natureza socioeconômica, especialmente para as pessoas que dependem do transporte coletivo.

A decisão determinou a liberação integral da frota e exigiu que os ônibus circulassem com frequência e itinerários compatíveis com os dias úteis. A gratuidade deveria ser mantida durante o período estabelecido pelo tribunal, incluindo o tempo necessário para que os eleitores retornassem com segurança às suas residências.

O despacho também determinou que a Polícia Federal fiscalizasse o cumprimento da ordem. O objetivo era verificar a saída dos veículos das garagens e impedir que eventuais obstáculos comprometessem a retomada do serviço.

A multa de R$ 1 milhão por hora foi estabelecida como medida para pressionar os responsáveis a cumprir a determinação judicial. O valor e a possibilidade de responsabilização de diferentes envolvidos aumentaram a dimensão jurídica do episódio.

É importante distinguir, contudo, a ordem de prisão da confirmação de que ela foi executada. A determinação judicial foi noticiada, mas as informações disponíveis naquele momento não confirmavam o cumprimento efetivo da prisão de Pablo Souza.

Semob atribui interrupções a adesivos eleitorais e afirma que serviço foi normalizado

Em nota divulgada neste domingo, a Secretaria Municipal de Mobilidade afirmou que a operação do transporte público de Salvador havia sido totalmente normalizada. A pasta reconheceu que ocorreram interrupções no começo da manhã, mas atribuiu o problema a episódios de adesivação de veículos nas garagens.

Segundo a secretaria, as ocorrências envolveram adesivos considerados propaganda eleitoral irregular. A Semob argumentou que a legislação eleitoral proíbe a saída de ônibus com material de propaganda de candidatos e informou que a situação foi contornada após diálogo entre equipes operacionais e representantes de entidades sindicais.

A pasta também declarou que Pablo Souza havia notificado as empresas concessionárias para garantir a disponibilidade integral dos ônibus e evitar novas interrupções.

A versão apresentada pela secretaria difere da avaliação da federação que acionou a Justiça Eleitoral. Enquanto o grupo político alegou que a redução da frota poderia prejudicar o comparecimento de eleitores às urnas, a Semob atribuiu os problemas iniciais a um impasse envolvendo adesivos nos veículos.

A existência de versões diferentes torna importante a apuração das circunstâncias que levaram os ônibus a permanecer nas garagens, a quantidade de veículos afetados e o momento em que o serviço foi efetivamente restabelecido.

Também é necessário diferenciar a afirmação da secretaria de que a operação foi normalizada da comprovação formal de cumprimento integral da ordem judicial. A decisão estabeleceu obrigações específicas para a frota, os horários, os itinerários e a gratuidade, e o atendimento dessas condições depende de verificação pelas autoridades responsáveis.

O episódio ocorreu em um contexto eleitoral sensível, no qual a oferta de transporte público pode influenciar diretamente a capacidade de deslocamento de pessoas que dependem dos ônibus para chegar aos locais de votação. A apuração deverá esclarecer se houve apenas uma interrupção operacional, se ocorreu descumprimento de determinação judicial ou se existem outros elementos que justifiquem responsabilização.

O que acontece após a ordem de prisão do secretário?

A determinação do TRE-BA pode produzir desdobramentos tanto na esfera eleitoral quanto na criminal. A ordem foi direcionada à Polícia Federal, enquanto o processo também poderia ser encaminhado aos órgãos competentes para análise de possíveis infrações.

O cumprimento de uma ordem de prisão depende da atuação das autoridades responsáveis e das circunstâncias concretas do caso. Por isso, a publicação da decisão não significa, por si só, que o secretário tenha sido preso.

O episódio também pode levar à análise da conduta dos demais responsáveis pela operação do transporte público, incluindo a administração municipal e as concessionárias. A eventual responsabilização dependerá da apuração dos fatos, das provas reunidas e das decisões das autoridades competentes.

Outro ponto central será verificar se a frota integral voltou a circular dentro do prazo estabelecido e se a gratuidade foi mantida nas condições determinadas pelo tribunal. Esses elementos são relevantes para avaliar o cumprimento da decisão e eventuais consequências jurídicas.

A crise colocou em evidência a importância de garantir condições adequadas para que os eleitores exerçam o direito ao voto, independentemente de sua situação econômica ou da necessidade de utilizar o transporte coletivo. Ao mesmo tempo, as justificativas apresentadas pela Semob precisam ser consideradas na apuração, sem que as alegações de qualquer uma das partes sejam tratadas como conclusões definitivas antes da análise oficial.

Perguntas frequentes

1. Pablo Souza poderia ser preso mesmo estando fora de Salvador?

A localização do secretário pode influenciar os procedimentos para cumprimento da ordem, mas não elimina automaticamente uma determinação judicial. A execução depende da atuação das autoridades competentes e das circunstâncias legais do caso.

2. O que significa uma prisão em flagrante determinada pela Justiça Eleitoral?

É uma ordem relacionada à suspeita de prática de uma infração em circunstâncias que podem caracterizar flagrante. A aplicação concreta depende dos fatos, dos fundamentos jurídicos e dos procedimentos adotados pelas autoridades.

3. Quem fiscaliza se os ônibus voltaram a circular?

A fiscalização pode envolver a Polícia Federal, conforme determinado pelo tribunal, além dos órgãos públicos responsáveis pelo transporte e das autoridades judiciais encarregadas de acompanhar o cumprimento da decisão.

4. A multa de R$ 1 milhão por hora é aplicada automaticamente?

A multa foi prevista para o caso de descumprimento da ordem. A cobrança efetiva depende da verificação das condições estabelecidas na decisão e dos procedimentos cabíveis.

5. A crise dos ônibus pode afetar a investigação eleitoral?

Sim. Os registros sobre a quantidade de veículos em circulação, os horários das interrupções e o cumprimento das determinações judiciais podem ser analisados pelas autoridades para esclarecer se houve irregularidade e se existem responsáveis a serem investigados.