A Polícia Federal (PF) apreendeu cofres com joias, pilhas de dinheiro e sacolas recheadas de cédulas durante a Operação Backbone, deflagrada nesta segunda-feira (19 de outubro de 2026), no Rio de Janeiro. A ação investiga uma estrutura atribuída ao Comando Vermelho (CV) que, segundo as apurações, impunha o monopólio do fornecimento de internet em comunidades cariocas por meio de ameaças, intimidação e violência.
Entre os alvos da operação estão o traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, a esposa dele, Márcia Gama, e o filho, Lucas Santos Nepomuceno. A operação também alcançou outros suspeitos de participar de um esquema que teria utilizado empresas de internet e mecanismos financeiros para movimentar e ocultar recursos.
Imagens divulgadas pela Polícia Federal mostram sacolas com grandes quantidades de dinheiro encontradas na residência de um dos investigados, localizada em Tomás Coelho, na zona norte da capital fluminense. Parte das cédulas estava escondida em gavetas de roupas, enquanto outros objetos de valor foram apreendidos durante as diligências.
Em outro endereço, situado em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na zona sudoeste do Rio, os agentes cumpriram mandado na residência de um investigado apontado como beneficiário de uma das empresas provedoras de internet supostamente ligadas ao esquema. Ele foi preso preventivamente.
Até o momento informado pelas autoridades, 20 pessoas haviam sido presas. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores vinculados a 40 pessoas físicas e 42 empresas investigadas.
A dimensão financeira da operação chama atenção porque a investigação não se limita à atuação de integrantes da organização criminosa nas comunidades. Segundo a PF, o esquema envolveria empresas, operadores financeiros, negócios comerciais e mecanismos utilizados para transferir e ocultar recursos provenientes das atividades investigadas.
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Como funcionava o suposto monopólio da internet nas comunidades do Rio?
De acordo com a Polícia Federal, moradores dos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão eram obrigados a contratar serviços de internet controlados por empresas autorizadas pelo grupo criminoso. A investigação aponta que a estrutura funcionava por meio de ameaças e do uso de armas de fogo para impedir a concorrência.
Segundo as apurações, traficantes armados cortavam cabos, incendiavam caixas de distribuição de operadoras regulares e dificultavam a realização de reparos. Essas ações teriam como objetivo afastar empresas concorrentes e garantir que determinados provedores permanecessem como as principais opções disponíveis aos moradores.
A prática investigada vai além de uma disputa comercial entre empresas. Se confirmadas as suspeitas, a imposição de fornecedores por meio de ameaças representaria uma forma de extorsão e controle econômico sobre a população de áreas dominadas pela organização criminosa.
Ainda conforme a investigação, os provedores autorizados a operar nesses territórios pagavam mensalmente uma espécie de tarifa para manter suas atividades. Os pagamentos seriam destinados à estrutura criminosa que controlava a prestação do serviço.
Esse modelo permitiria que a organização obtivesse receitas recorrentes sem depender exclusivamente de atividades tradicionalmente associadas ao tráfico de drogas. O fornecimento de internet passaria a integrar uma estrutura de exploração econômica de serviços essenciais dentro das comunidades.
A investigação busca esclarecer como as empresas envolvidas se relacionavam com os integrantes do grupo, quem recebia os recursos e quais mecanismos eram utilizados para movimentar o dinheiro. Também pretende identificar a participação de pessoas físicas e jurídicas que, segundo as suspeitas, teriam contribuído para sustentar a operação financeira.
A PF considera que a estrutura investigada utilizava a combinação de coerção territorial e atividade empresarial para garantir receitas. O avanço da apuração deverá ajudar a esclarecer a extensão do esquema e a eventual responsabilidade de cada investigado.
Dinheiro, joias e empresas: como funcionaria a movimentação dos recursos?
Além do controle territorial sobre o fornecimento de internet, a Operação Backbone investiga possíveis mecanismos de lavagem de dinheiro. Segundo as apurações, os lucros obtidos com o esquema seriam repassados à família de um dos líderes da organização criminosa por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem.
A investigação aponta que os recursos também teriam sido ocultados ou movimentados por meio de negócios como produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão pagos em dinheiro vivo e criptoativos.
As apreensões de cofres, joias e grandes quantidades de cédulas fazem parte desse contexto investigativo. No entanto, a presença de dinheiro ou objetos de valor em um endereço não comprova, isoladamente, a origem ilícita de todos os bens. A ligação entre os valores apreendidos e os crimes investigados precisa ser estabelecida por meio de provas e da análise financeira conduzida pelas autoridades.
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores relacionados a 40 pessoas físicas e 42 empresas. A medida busca preservar o patrimônio que possa estar associado às atividades investigadas e impedir a movimentação de recursos durante a apuração.
O alcance da decisão também demonstra que a operação procura atingir a estrutura financeira suspeita, e não apenas os indivíduos apontados como responsáveis pela execução das atividades criminosas.
Entre as medidas previstas está a suspensão das atividades econômicas de empresas investigadas. A lista inclui provedores de internet, produtoras de eventos, uma empresa de contabilidade e empresas apontadas como possíveis estruturas de fachada.
A apuração deverá verificar se essas organizações tinham atividades comerciais legítimas, se foram utilizadas para movimentar recursos ilícitos ou se desempenhavam funções diferentes dentro do esquema. A existência de uma empresa entre os alvos de uma investigação, por si só, não significa que todos os seus funcionários ou clientes tenham participado de crimes.
O rastreamento dos valores, a análise de documentos e a identificação dos beneficiários das movimentações financeiras são etapas importantes para esclarecer como o dinheiro teria circulado entre as atividades investigadas e os patrimônios dos suspeitos.
Marcinho VP é alvo da operação; investigados podem responder por diferentes crimes
A Operação Backbone também teve como alvo Marcinho VP, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho. Preso desde 1996, ele teve um mandado cumprido na unidade prisional federal de segurança máxima onde está custodiado, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
A ação também atingiu Márcia Gama, esposa dele, e Lucas Santos Nepomuceno, filho do casal, além de outros investigados. As medidas adotadas contra os alvos fazem parte da investigação sobre a suposta estrutura econômica ligada à organização criminosa.
Até o balanço divulgado, 20 pessoas haviam sido presas. A operação busca identificar os responsáveis pelo controle do fornecimento de internet, pela cobrança de valores dos provedores e pela eventual ocultação dos recursos obtidos.
Os investigados poderão responder por crimes como domínio social estruturado, extorsão majorada e lavagem de dinheiro, entre outros, conforme a participação que venha a ser demonstrada no decorrer da apuração.
A definição das responsabilidades dependerá das provas reunidas e da análise da Justiça. A inclusão de uma pessoa ou empresa entre os alvos de uma operação não equivale a uma condenação, e as suspeitas devem ser avaliadas individualmente.
Com a apreensão de dinheiro e joias, o bloqueio patrimonial e a previsão de suspensão de empresas, a Operação Backbone busca atingir diferentes partes da estrutura investigada. O objetivo é interromper o modelo de exploração econômica atribuído ao grupo, identificar os beneficiários dos recursos e reunir provas sobre o funcionamento do suposto esquema.
Dúvidas sobre a Operação Backbone
1. O que significa o nome Operação Backbone?
Em redes de telecomunicações, backbone é o termo usado para designar a infraestrutura principal que transporta grandes volumes de dados entre redes. O nome da operação faz referência ao setor de internet investigado, mas não permite concluir, por si só, qual foi o critério específico usado pela PF para batizá-la.
2. O que acontece com o dinheiro e as joias apreendidos durante uma operação policial?
Os bens ficam sujeitos aos procedimentos legais de apreensão, documentação e análise. Conforme as decisões judiciais e o resultado do processo, os objetos podem permanecer sob custódia, ser submetidos a medidas patrimoniais ou ter sua destinação definida posteriormente.
3. Como os moradores podem denunciar ameaças relacionadas ao fornecimento de internet?
Situações de ameaça ou extorsão podem ser comunicadas às autoridades policiais pelos canais oficiais de denúncia. Em casos de risco imediato, a orientação é procurar os serviços de emergência, evitando confrontar diretamente pessoas suspeitas de envolvimento com grupos armados.
4. O bloqueio de bens significa que o dinheiro já foi confiscado definitivamente?
Não necessariamente. O bloqueio patrimonial é uma medida destinada a restringir a movimentação de bens e valores durante a investigação ou o processo. A destinação definitiva depende das decisões judiciais e dos procedimentos previstos em lei.



